o estado público das coisas
Há um ruído que não vem da rua. Vem de dentro das paredes, das telas acesas, das bocas que aprenderam a falar antes de pensar. Não é o grito do ignorante. É mais fundo. É o momento em que o homem, ao descobrir que nada sabe, decide que isso basta. Então levanta a sua ignorância como uma bandeira, entra em parada na praça e pede que a praça se ajoelhe. Já não há vergonha em não compreender. Há orgulho. Já não se esconde a pobreza de espírito: veste-se de opinião, ganha uma voz, um rosto, cem rostos, oito bilhões de rostos. A multidão descobriu que pode transformar o espelho numa lei. E tudo o que exige trabalho parece suspeito. Um livro fechado é mais útil q...