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A mostrar mensagens de setembro 27, 2026

o estado público das coisas

Há um ruído que não vem da rua. Vem de dentro das paredes, das telas acesas,       das bocas que aprenderam a falar antes de pensar. Não é o grito do ignorante. É mais fundo. É o momento em que o homem,        ao descobrir que nada sabe, decide que isso basta.  Então levanta a sua ignorância    como uma bandeira,           entra em parada na praça     e pede que a praça se ajoelhe.    Já não há vergonha em não compreender. Há orgulho. Já não se esconde a pobreza de espírito: veste-se de opinião,              ganha uma voz,                um rosto,                     cem rostos, oito bilhões de rostos. A multidão descobriu que pode transformar o espelho numa lei. E tudo o que exige trabalho parece suspeito. Um livro fechado é mais útil q...

a travessia

Não prosperar, mudar. A casa fica atrás do passo. Diante,      o escuro sem nome. Um salto. O chão inventa-se     sob os pés. Salvo-me        ao perder quem era.