a presença
Tudo o que não fomos
permanece. Não é sombra obediente: uma silhueta imóvel
que olha dentro. A cada novo gesto,
o gesto recusado ergue-se, a cada palavra dita,
a sílaba afogada no silêncio. Vivemos cercados
por essa multidão invisível: caminhos abandonados,
amores mal suportados, cidades que recusaram o peso que eleva o passo. E nenhum deles nos julga. Limitam-se a contemplar o estreito território do ser, a minúscula estrela extinta
cuja luz encontra os olhos. Talvez sejamos o contrato depois de breve transacção entre o escolhido e o perdido, entre a porta varada e as cem portas cerradas. E tudo o que não fomos
fixa em nós o olhar paciente...