elogio da tolice
quem pouco tem fala (a l t o) o vaso vazio é o que mais res so a o orgulho veste pano emprestado a vaidade (de tanto espelho) já não vê o rosto só o tamanho do reflexo mas a tolice nunca anda sozinha há sempre quem lhe bata palmas (palmaspalmaspal mas) mãos que se juntam sem saber porquê pássaros cegos a saudar o sol que ninguém viu nascer aplaude-se o eco aplaude-se o nada aplaude-se (com a convicção de quem aplaude o mar) a verdade pesa pedra fria na palma sal na ferida o som seco de algo que cai num poço e d e m o r a a chegar ao fundo o elogio é pluma (não custa nada carregar) e por isso quase todos escolhem o ruído a festa a espuma e deixam a pedra a cair no escuro