A Paragem

         havia um café chamado

A Paragem


            exactamente atrás de

     uma paragem de


  autocarro O vapor no vidro

marcava o instante um lugar


breve Estórias no ar difíceis

                  de calar


   através do vidro o mundo

 passava Nas mãos


  um café arrefecia


 lá fora a espera nunca parava 

a pausa era o que ali habitava 


          o cheiro forte

da rua nunca parava


      uma prisão entre dois cais 

uma paragem mais longa que


   a vida onde o tempo

     não buscava sinais


havia um café escuro

vazio perdido 


atrás da paragem esquecido

      pelos dias


Os homens calados

       bebiam rotinas

   lá fora o autocarro cuspia


 arcaicos destinos  A chuva

  surrava segredos do além


   a Paragem vive dentro de

      quem diz nunca esperar

   

        ninguém entrava ninguém

     saía De mortalha às costas


 exacta era a sina do cadastro

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o caderno obscuro

a deusa

vertigem

peça a peça

estupidez II

mineral

devoção

o navio de vidro

perplexidade