Chuva
Há quem escute
a chuva na alma,
como quem ouve um tambor distante
Cada gota é um nome,
cada som um sussurro antigo
Há quem caminhe à chuva
e sinta o corpo lavar-se,
a pele responde ao toque,
o sentido aprende o ritmo
um cântico sem letra
E há quem apenas se molhe,
apresse o passo nas ruas,
feche o casaco ao vento,
chegue a casa encharcado
sem nunca ter ouvido
a fala muda da chuva
A água não faz a diferença,
nem o céu que a derrama.
Está nos olhos que a recebem,
nos ouvidos que a escutam,
na alma que se entrega à chuva